Gravidez

Exercícios seguros na gravidez: quais fazer e cuidados

A gravidez traz muitas mudanças para o corpo. O peso aumenta, o centro de equilíbrio muda, os hormônios provocam alterações nas articulações e atividades que antes pareciam simples podem começar a exigir mais esforço.

Nesse período, é comum surgir uma dúvida:

“Posso continuar fazendo exercícios durante a gravidez?”

Na maioria das gestações sem complicações, a resposta é sim. A atividade física pode fazer parte de uma gestação saudável, desde que seja adequada às condições da mulher e à evolução da gravidez.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que gestantes sem contraindicações realizem atividade física regularmente durante a gravidez, incluindo pelo menos 150 minutos semanais de atividade aeróbica de intensidade moderada, combinada, quando apropriado, com atividades de fortalecimento muscular e alongamentos suaves.

O Ministério da Saúde também orienta a prática de atividade física durante a gestação e destaca opções como caminhada, dança, hidroginástica, alongamentos, exercícios aeróbicos e exercícios de resistência, desde que sejam adequados à situação da gestante.

Mas isso não significa que qualquer exercício seja indicado para qualquer gestante.

O tipo de atividade, a intensidade, o histórico de exercícios e as condições clínicas precisam ser considerados.

Neste artigo, você vai entender quais exercícios costumam ser seguros na gravidez, quais cuidados tomar, quais atividades merecem atenção e quais sinais indicam que é hora de interromper o exercício e procurar orientação médica.

Aviso importante: este conteúdo é educativo e não substitui o acompanhamento do pré-natal. Cada gestação possui características próprias. Se você tem alguma complicação, doença ou recebeu orientação para restringir atividades, converse com o profissional que acompanha sua gravidez antes de iniciar ou modificar uma rotina de exercícios.

Resumo rápido: exercícios seguros na gravidez

Se você está procurando uma resposta rápida, estes são os principais pontos:

  • Em uma gravidez sem complicações, a atividade física geralmente pode fazer parte da rotina.
  • A OMS recomenda pelo menos 150 minutos semanais de atividade aeróbica moderada para gestantes sem contraindicações.
  • Caminhada, natação, hidroginástica, exercícios de fortalecimento, alongamentos e algumas modalidades adaptadas de yoga e Pilates estão entre as opções frequentemente utilizadas.
  • Quem já praticava exercícios antes da gravidez pode, em muitos casos, continuar, mas pode precisar adaptar intensidade, duração ou determinados movimentos.
  • Quem era sedentária deve começar gradualmente.
  • Atividades com alto risco de queda, trauma abdominal ou superaquecimento devem ser evitadas ou avaliadas individualmente.
  • Sangramento vaginal, perda de líquido, contrações dolorosas regulares, dor no peito, tontura, falta de ar antes do exercício ou outros sinais importantes exigem interrupção e avaliação.
  • Não existe uma rotina de exercícios universal para todas as gestantes.

Fazer exercício durante a gravidez é seguro?

Para mulheres saudáveis com gravidez sem complicações, as evidências e recomendações atuais apoiam a prática de atividade física.

O American College of Obstetricians and Gynecologists (ACOG) afirma que, na ausência de complicações obstétricas ou contraindicações médicas, a atividade física durante a gravidez apresenta riscos mínimos e pode trazer benefícios para a maioria das gestantes.

O próprio Ministério da Saúde orienta que gestantes de risco habitual sejam incentivadas a praticar exercícios, incluindo atividades aeróbicas e de fortalecimento, respeitando a avaliação individual.

Isso é importante porque durante muito tempo algumas mulheres receberam a ideia de que gravidez significava necessariamente diminuir drasticamente os movimentos.

Hoje sabemos que, para muitas gestantes, manter-se fisicamente ativa pode ser parte de uma rotina saudável.

Isso não significa “malhar até o limite”.

Significa encontrar uma forma de movimento adequada para aquele momento da vida.

Quais são os benefícios dos exercícios na gravidez?

A atividade física pode contribuir para o bem-estar da gestante e para alguns aspectos da saúde durante a gravidez.

Entre os benefícios descritos pelo ACOG estão a redução de dores nas costas, melhora da constipação, melhora do condicionamento físico e possível redução do risco de diabetes gestacional, pré-eclâmpsia e parto cesáreo.

O Ministério da Saúde também relaciona a atividade física durante a gestação a benefícios para a qualidade de vida, preparo para o trabalho de parto e prevenção do ganho de peso excessivo.

É importante, porém, evitar transformar esses benefícios em promessas.

Fazer exercício não garante que uma gestante não terá diabetes gestacional, pressão alta, cesárea ou qualquer outra complicação.

A gravidez é influenciada por muitos fatores.

O exercício é apenas uma parte dos cuidados.

Exercícios seguros na gravidez: quais fazer?

Não existe uma única modalidade obrigatória.

A melhor atividade é aquela que é adequada à sua condição clínica, compatível com sua experiência e que pode ser realizada com segurança.

Entre as opções mais frequentemente recomendadas estão:

1. Caminhada

A caminhada é uma das atividades mais simples para começar.

Pode ser feita ao ar livre ou em esteira e permite controlar relativamente bem o ritmo.

Para uma gestante que era sedentária antes da gravidez, pode ser uma maneira prática de começar a se movimentar gradualmente.

O Ministério da Saúde cita a caminhada entre os exemplos de atividades que podem ser realizadas durante a gestação.

2. Natação e exercícios na água

A água ajuda a sustentar o peso corporal e pode tornar alguns movimentos mais confortáveis.

O ACOG inclui natação e atividades na água entre as opções consideradas seguras durante a gravidez.

Mesmo assim, é importante considerar as condições da gestante e da piscina, além de evitar situações que aumentem o risco de queda ou acidentes.

3. Hidroginástica

A hidroginástica também pode ser uma opção interessante, principalmente quando orientada por profissionais que conhecem as adaptações necessárias para gestantes.

O Ministério da Saúde inclui a hidroginástica entre os exemplos de atividades que podem ser praticadas durante a gestação.

4. Exercícios de fortalecimento

Fortalecimento muscular também pode fazer parte da rotina.

Podem ser utilizados pesos, faixas elásticas ou exercícios com o próprio corpo, desde que o programa seja adequado.

O ACOG inclui exercícios de resistência entre as modalidades estudadas durante a gravidez.

O objetivo não precisa ser aumentar carga constantemente.

Durante a gravidez, segurança e adaptação são mais importantes do que desempenho.

5. Alongamentos

Alongamentos suaves podem complementar a rotina.

É preciso, entretanto, lembrar que as mudanças hormonais da gravidez podem aumentar a mobilidade das articulações.

Por isso, não é necessário forçar amplitude de movimento.

O ACOG recomenda atenção aos movimentos bruscos e de alto impacto, justamente porque as articulações e o equilíbrio podem sofrer alterações durante a gravidez.

6. Yoga adaptada

Algumas modalidades de yoga podem ser adaptadas para a gravidez.

O ACOG cita yoga modificada entre as opções que podem ser utilizadas, evitando posições inadequadas ou períodos prolongados deitada de costas.

Uma aula específica para gestantes pode facilitar essas adaptações.

7. Pilates adaptado

O Pilates pode ser praticado por algumas gestantes quando adaptado às mudanças do corpo.

O ideal é que o profissional responsável tenha conhecimento sobre exercícios para gestantes.

Não é necessário insistir em movimentos desconfortáveis apenas porque eles faziam parte da rotina antes da gravidez.

Quanto tempo de exercício a grávida pode fazer?

A OMS recomenda, para gestantes sem contraindicações, pelo menos 150 minutos de atividade aeróbica moderada por semana.

Isso pode parecer muito quando você olha para os 150 minutos de uma vez.

Mas não precisa ser feito em uma única sessão.

Pode ser dividido ao longo da semana.

Por exemplo:

Exemplo de organizaçãoTempo aproximado
Caminhada 5 vezes por semana30 minutos por dia
Caminhada 3 vezes por semana + fortalecimentoDistribuição individual
Sessões curtas ao longo do dia10 a 15 minutos por vez
Gestante inicianteComeçar com períodos menores e aumentar gradualmente

A ACOG também destaca que os 150 minutos podem ser divididos em sessões menores e recomenda que mulheres que estão começando iniciem lentamente e aumentem gradualmente.

Portanto, se você nunca fez exercício, não precisa começar tentando cumprir 30 minutos todos os dias imediatamente.

Como saber se a intensidade está adequada?

Uma maneira prática de avaliar a intensidade é observar sua capacidade de conversar.

Durante uma atividade moderada, você deve conseguir conversar, embora possa perceber que está respirando mais rápido.

A ACOG utiliza justamente o chamado “talk test”, ou teste da conversa, como uma maneira prática de avaliar o esforço.

Na prática

Imagine que você está caminhando.

Se consegue conversar normalmente com alguém ao seu lado, mas percebe que está fazendo esforço, pode estar em uma intensidade moderada.

Se está tão ofegante que não consegue conversar adequadamente, talvez a intensidade esteja alta demais para aquele momento.

Esse não é um diagnóstico médico nem substitui avaliação profissional, mas pode ser uma referência prática para entender o esforço.

E se eu era sedentária antes da gravidez?

Você não precisa pensar:

“Como não fiz exercícios antes, agora não posso começar.”

Para gestantes sem contraindicações, é possível iniciar atividade física durante a gravidez.

Mas o começo deve ser gradual.

A ACOG recomenda que mulheres que não praticavam exercícios iniciem lentamente e aumentem a duração progressivamente.

Um exemplo simples seria começar com caminhadas curtas e confortáveis, aumentando o tempo aos poucos conforme a tolerância e orientação recebida no pré-natal.

O importante é não transformar o início da atividade em uma competição.

Exemplo prático

Uma mulher que passou os primeiros meses da gravidez sedentária decide começar a caminhar.

Em vez de sair fazendo uma caminhada longa e intensa no primeiro dia, ela pode conversar com o profissional do pré-natal e, se liberada, começar com sessões curtas.

Se o corpo responde bem, a duração pode ser aumentada gradualmente.

Esse processo é mais coerente com uma mudança de hábito sustentável.

E quem já treinava antes da gravidez?

A situação é diferente.

Uma mulher que já corria, fazia musculação ou praticava outro esporte antes da gravidez pode conseguir manter parte da rotina.

Mas isso não significa que o treino deva permanecer exatamente igual durante todos os nove meses.

O corpo muda.

O equilíbrio muda.

A distribuição de peso muda.

A resistência pode variar.

O ACOG afirma que mulheres fisicamente ativas antes da gravidez podem, em determinadas situações, continuar suas atividades, desde que avaliadas e acompanhadas adequadamente.

Atividades de maior intensidade ou esportes específicos merecem uma avaliação individual.

Quais exercícios devem ser evitados na gravidez?

A preocupação principal não é simplesmente “qualquer exercício intenso”.

O risco pode estar relacionado ao tipo de atividade.

O ACOG recomenda evitar atividades que aumentem o risco de queda, trauma abdominal ou superaquecimento. Entre os exemplos estão esportes de contato, atividades com alto risco de queda, mergulho autônomo e modalidades como hot yoga ou hot Pilates.

Algumas atividades citadas pelo ACOG incluem:

  • boxe;
  • futebol;
  • basquete;
  • hóquei;
  • esqui;
  • surf;
  • ciclismo fora de estrada;
  • equitação;
  • paraquedismo;
  • mergulho autônomo;
  • exercícios em ambientes excessivamente quentes.

Isso não significa que todas as mulheres tenham exatamente as mesmas restrições.

A recomendação precisa considerar a situação individual.

Posso fazer musculação durante a gravidez?

Em muitas gestações sem complicações, exercícios de resistência podem fazer parte da rotina.

O Ministério da Saúde inclui exercícios de resistência entre as opções para gestantes de risco habitual, enquanto a ACOG também reconhece o fortalecimento como parte das atividades que podem ser realizadas durante a gravidez.

Mas musculação durante a gravidez não precisa ser uma disputa para levantar mais peso.

A carga, a técnica, a amplitude e a seleção dos exercícios podem precisar de adaptação.

Se você já fazia musculação, converse com o profissional que acompanha sua gestação sobre as modificações necessárias.

Se nunca fez, procure orientação antes de começar um programa de treinamento.

Posso correr durante a gravidez?

Depende.

Para algumas mulheres que já corriam antes da gravidez e têm uma gestação sem complicações, pode ser possível continuar correndo com adaptações.

A ACOG afirma que mulheres que já eram ativas podem, com aprovação do obstetra, continuar determinados exercícios durante a gravidez.

Por outro lado, começar a correr intensamente durante a gravidez, principalmente depois de anos de sedentarismo, não é a mesma situação.

Nesse caso, uma atividade de menor impacto pode ser mais apropriada.

A decisão deve ser individualizada.

Cuidados importantes ao fazer exercícios na gravidez

Mesmo quando a atividade é considerada segura, alguns cuidados são importantes.

Hidrate-se

Beba líquidos adequadamente antes, durante e depois da atividade.

A ACOG destaca a hidratação como uma das medidas importantes durante o exercício na gravidez.

Evite superaquecimento

A gravidez não é o momento de testar seus limites em ambientes extremamente quentes.

Evite exercícios prolongados em calor excessivo e ambientes como aulas de “hot yoga”.

Use roupas confortáveis

Roupas que permitam movimentação e favoreçam conforto podem fazer diferença.

Calçados adequados também ajudam na segurança durante atividades como caminhada.

Respeite o seu corpo

Cansaço pode acontecer na gravidez.

Dor importante, tontura ou mal-estar não devem ser ignorados.

Adapte conforme a gravidez avança

Um exercício confortável no primeiro trimestre pode precisar de ajustes no terceiro.

Isso é normal.

Não significa que você está “piorando”.

Seu corpo está mudando para sustentar uma nova fase.

Exercícios e posição deitada de costas

À medida que a gravidez avança, ficar deitada de costas por períodos prolongados durante exercícios pode causar desconforto ou alterações circulatórias em algumas mulheres.

A ACOG recomenda evitar longos períodos nessa posição durante o exercício, especialmente conforme a gestação avança.

Por isso, exercícios feitos no chão precisam ser adaptados quando necessário.

Se determinada posição provoca tontura, falta de ar ou mal-estar, interrompa e converse com seu profissional de saúde.

Quando parar o exercício e procurar orientação médica?

Alguns sinais não devem ser tratados como “normal da gravidez”.

A ACOG recomenda interromper o exercício e entrar em contato com o profissional responsável diante de sinais como sangramento vaginal, tontura, desmaio, dor no peito, falta de ar antes do exercício, fraqueza muscular importante, dor ou inchaço na panturrilha, contrações dolorosas regulares ou perda de líquido pela vagina.

Procure avaliação se apresentar:

  • sangramento vaginal;
  • perda ou saída de líquido pela vagina;
  • contrações dolorosas e regulares;
  • dor no peito;
  • tontura ou desmaio;
  • falta de ar antes mesmo de iniciar o exercício;
  • dor importante;
  • fraqueza que prejudique o equilíbrio;
  • dor ou inchaço na panturrilha;
  • qualquer sintoma que seja diferente do habitual e preocupe você.

Se os sintomas forem intensos ou houver uma emergência, procure atendimento imediatamente.

Existem gestantes que precisam de cuidados especiais?

Sim.

Nem toda gestação pode ser tratada como uma gravidez de risco habitual.

Mulheres com determinadas condições obstétricas ou clínicas podem precisar de avaliação individual antes de iniciar ou continuar exercícios.

O ACOG recomenda avaliação clínica antes da prescrição de exercícios e destaca que mulheres com complicações médicas ou obstétricas precisam ter o programa individualizado.

Por isso, não use este artigo para decidir sozinha se uma atividade é segura no seu caso.

O objetivo aqui é ajudar você a fazer perguntas melhores durante o pré-natal.

Exercício pode causar aborto?

Essa é uma preocupação muito comum.

Para mulheres com gravidez sem complicações, as evidências reunidas pelo ACOG não sustentam a ideia de que a atividade física regular, quando não há contraindicação, aumente o risco de aborto espontâneo.

O Ministério da Saúde também informa em seu guia de atividade física que a prática de atividade física durante a gestação não aumenta o risco de aborto nas situações consideradas adequadas.

Isso não significa que uma gestante com sintomas ou complicações deva continuar se exercitando normalmente.

Significa que atividade física adequada em uma gestação sem contraindicações não deve ser automaticamente vista como perigosa.

Erros comuns ao fazer exercícios na gravidez

1. Começar com intensidade alta

Quem estava sedentária pode querer compensar o tempo parado.

Não é necessário.

Comece gradualmente.

2. Tentar manter exatamente o mesmo treino de antes

A gravidez modifica o corpo.

Adaptar não significa fracassar.

3. Ignorar tontura ou dor

Esses sintomas merecem atenção.

4. Fazer exercício no calor excessivo

O superaquecimento deve ser evitado.

5. Não beber água

A hidratação faz parte dos cuidados.

6. Escolher atividade pelo que está na moda

O exercício ideal não é necessariamente o mais popular nas redes sociais.

É aquele adequado para você.

7. Comparar sua gravidez com a de outra mulher

Duas gestantes podem estar com o mesmo número de semanas e ter recomendações completamente diferentes.

8. Achar que “mais exercício é melhor”

A recomendação não é transformar a gravidez em uma preparação esportiva.

O objetivo é promover saúde e bem-estar com segurança.

Na prática: como começar uma rotina de exercícios?

Se o seu pré-natalista confirmar que você pode praticar atividade física, uma rotina simples pode ser mais fácil de manter.

Um exemplo:

Segunda: caminhada leve ou moderada.

Terça: exercícios de fortalecimento adaptados.

Quarta: caminhada.

Quinta: alongamento ou atividade na água.

Sexta: caminhada.

Fim de semana: descanso ou atividade leve, conforme orientação.

Esse é apenas um exemplo educacional.

Não é uma prescrição de exercícios.

A duração e a intensidade devem ser ajustadas à sua condição física, experiência anterior e orientação profissional.

Checklist: estou tomando os cuidados necessários?

Antes de iniciar sua atividade física, confira:

  • Estou fazendo pré-natal regularmente.
  • Conversei com o profissional que acompanha minha gestação.
  • Sei se existe alguma contraindicação para mim.
  • Escolhi uma atividade compatível com minha condição.
  • Comecei gradualmente, se eu era sedentária.
  • Estou mantendo hidratação adequada.
  • Evito calor excessivo.
  • Utilizo roupas e calçados confortáveis.
  • Evito atividades com alto risco de queda ou trauma abdominal.
  • Presto atenção aos sinais do meu corpo.
  • Sei quais sintomas exigem interrupção do exercício.
  • Não estou tentando competir ou superar limites durante a gravidez.

Um exemplo prático: duas gestantes, duas necessidades diferentes

Imagine duas mulheres grávidas.

Ana

Já fazia caminhada regularmente antes da gravidez, tem uma gestação sem complicações e recebeu orientação para continuar ativa.

Ela pode precisar apenas adaptar ritmo, duração e conforto ao longo dos meses.

Beatriz

Nunca praticou exercícios, está começando agora e está com dúvidas sobre sua condição clínica.

Para ela, começar gradualmente e conversar com o profissional do pré-natal antes de montar uma rotina estruturada é especialmente importante.

Perceba que a pergunta não deveria ser apenas:

“Qual exercício é melhor na gravidez?”

A pergunta mais adequada é:

“Qual exercício é adequado para mim, considerando minha gestação e meu histórico?”

Essa mudança de pergunta pode evitar muitas comparações inadequadas.

Nota da Débora

Mãe, talvez você esteja lendo este artigo pensando:

“Eu deveria estar fazendo exercício, mas estou cansada.”

Ou talvez esteja pensando:

“Eu não fazia nada antes. Será que ainda dá tempo de começar?”

Não transforme a gravidez em mais uma cobrança.

Cuidar do corpo durante a gestação não significa buscar um corpo perfeito, uma barriga perfeita ou uma rotina perfeita.

Significa cuidar de você.

Se você puder caminhar, caminhe.

Se o seu profissional liberar uma atividade na água, aproveite.

Se precisar começar com poucos minutos, comece com poucos minutos.

E se em algum momento você precisar diminuir o ritmo, isso também faz parte.

A gravidez não é uma competição.

Seu corpo está fazendo um trabalho enorme todos os dias.

A atividade física deve ser uma ferramenta de cuidado, não mais uma fonte de culpa.

Minha visão editorial: movimento não precisa significar academia

Quero deixar uma coisa muito clara aqui no Maternidade na Prática:

Quando falamos em atividade física na gravidez, não estamos dizendo que toda gestante precisa entrar em uma academia.

Atividade física pode significar caminhar, nadar, fazer uma aula adaptada, realizar exercícios de fortalecimento ou simplesmente construir uma rotina mais ativa, dentro dos limites recomendados para aquela gestação.

A OMS reconhece que atividade física inclui movimentos realizados no lazer, no transporte, no trabalho e em outras atividades do cotidiano.

Por isso, não quero que você leia este artigo e pense:

“Não tenho dinheiro para academia, então não posso me exercitar.”

Existem formas simples e acessíveis de se movimentar.

Mas também não quero que você pense:

“Então vou fazer qualquer exercício que encontrei na internet.”

Informação precisa vir acompanhada de responsabilidade.

O melhor caminho é unir movimento, bom senso e acompanhamento do pré-natal.

Perguntas frequentes

1. Qual é o exercício mais seguro para fazer durante a gravidez?

Não existe um único exercício ideal para todas as gestantes. Caminhada, natação, hidroginástica, exercícios de fortalecimento, alongamentos e modalidades adaptadas de yoga e Pilates estão entre as opções frequentemente utilizadas em gestações sem contraindicações. A escolha deve considerar a condição clínica e o histórico da gestante.

2. Quantos minutos de exercício uma grávida deve fazer por dia?

A OMS recomenda pelo menos 150 minutos semanais de atividade aeróbica moderada para gestantes sem contraindicações. Isso pode ser distribuído ao longo da semana e dividido em sessões menores. Quem está começando deve aumentar a duração gradualmente.

3. Quando a gestante deve parar de fazer exercício?

Sangramento vaginal, perda de líquido, contrações dolorosas regulares, dor no peito, tontura ou desmaio, falta de ar antes do exercício, dor ou inchaço na panturrilha e outros sinais importantes são motivos para interromper a atividade e buscar orientação médica.

Conclusão

Os exercícios seguros na gravidez podem fazer parte de uma gestação saudável para muitas mulheres.

A evidência atual não apoia a ideia de que uma gravidez normal exija sedentarismo.

Pelo contrário: a OMS recomenda atividade física regular para gestantes sem contraindicações, com pelo menos 150 minutos semanais de atividade aeróbica moderada.

Caminhada, natação, hidroginástica, fortalecimento, alongamento e algumas modalidades adaptadas estão entre as possibilidades.

Mas segurança vem antes de intensidade.

Não é preciso treinar para superar limites.

Não é preciso comparar sua rotina com a de outra gestante.

E não é preciso se sentir culpada se seu corpo pedir adaptações.

O exercício durante a gravidez deve acompanhar a gestação — e não obrigar a gestação a acompanhar o exercício.

Se você está pensando em começar uma atividade, converse com o profissional responsável pelo seu pré-natal. Ele poderá considerar seu histórico, seus exames, a evolução da gravidez e possíveis contraindicações.

E lembre-se: informação de qualidade não serve para substituir o profissional que acompanha você. Ela serve para ajudar você a chegar à consulta mais preparada e consciente das suas escolhas.

Fontes confiáveis

Ministério da Saúde

O Ministério da Saúde disponibiliza orientações específicas sobre atividade física durante a gestação e recomenda, para gestantes de risco habitual, atividades aeróbicas e de fortalecimento, com avaliação individual. Entre os exemplos estão caminhada, dança, hidroginástica, alongamento, exercícios aeróbicos e exercícios de resistência.

Leia as orientações do Ministério da Saúde sobre atividade física no pré-natal

O Ministério da Saúde também disponibiliza o Guia de Atividade Física para a População Brasileira, que apresenta orientações sobre atividade física durante a gestação.

Consultar o Guia de Atividade Física para a População Brasileira

Organização Mundial da Saúde — OMS

A OMS recomenda que gestantes e mulheres no pós-parto sem contraindicações realizem atividade física regularmente, incluindo pelo menos 150 minutos semanais de atividade aeróbica moderada e uma combinação de atividades aeróbicas, fortalecimento muscular e alongamento suave.

Consultar as recomendações da OMS sobre atividade física

American College of Obstetricians and Gynecologists — ACOG

A ACOG reúne informações específicas para gestantes sobre segurança, benefícios, tipos de exercícios, cuidados e sinais que indicam a necessidade de interromper a atividade.

Leia o guia da ACOG sobre exercícios durante a gravidez

A organização também mantém uma orientação clínica detalhada sobre atividade física e exercícios durante a gravidez e o período pós-parto.

Consultar a orientação clínica da ACOG sobre atividade física na gravidez

Sociedade Brasileira de Pediatria

A Sociedade Brasileira de Pediatria mantém conteúdos relacionados à importância e segurança da atividade física, especialmente no contexto pediátrico. Como este artigo é direcionado à gestação, as recomendações específicas foram priorizadas de fontes obstétricas e de saúde pública.

Consultar conteúdos da Sociedade Brasileira de Pediatria sobre atividade física e segurança

Leia também:

Nota editorial

Este artigo foi produzido com base em recomendações de órgãos e instituições reconhecidos, mas não constitui prescrição de exercícios. A segurança de uma atividade depende das características individuais da gestante e da evolução da gravidez.

Se você possui uma condição de saúde, complicação obstétrica, sintomas diferentes do habitual ou recebeu orientação específica durante o pré-natal, siga a recomendação da sua equipe de saúde.

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