Ouvir o choro do bebê e não conseguir descobrir imediatamente o motivo é uma das situações que mais angustiam mães e pais, principalmente nos primeiros meses de vida. Quando o bebê parece saudável, está alimentado, com a fralda limpa, mas continua chorando de forma intensa, uma das causas mais comuns é a cólica.
Se você está passando por isso, respire fundo. Antes de tudo, saiba que você não está sozinho. As cólicas são muito frequentes nos primeiros meses de vida e, embora sejam cansativas para toda a família, costumam fazer parte do desenvolvimento do bebê e desaparecem naturalmente com o tempo.
A boa notícia é que existem diversas formas de aliviar esse desconforto de maneira segura e acolhedora. Pequenas mudanças na rotina, algumas técnicas simples e muito contato com os pais podem fazer uma grande diferença.
Neste artigo, você vai entender por que as cólicas acontecem, como reconhecer os principais sinais, quando elas costumam começar e quais cuidados realmente ajudam a aliviar o desconforto do seu bebê.
O que são as cólicas no bebê?
As cólicas são episódios de choro intenso e difícil de consolar que costumam aparecer nas primeiras semanas de vida, mesmo em bebês saudáveis e bem alimentados.
Embora ainda não exista uma única causa comprovada, especialistas acreditam que elas estejam relacionadas à imaturidade do sistema digestivo e do sistema nervoso do bebê.
Durante os primeiros meses, o organismo ainda está aprendendo a digerir o leite, controlar os movimentos intestinais e se adaptar ao ambiente fora do útero. Esse processo pode provocar desconforto abdominal temporário.
É importante lembrar que a cólica não significa que o bebê esteja doente.
Na maioria dos casos, ela faz parte do desenvolvimento normal e melhora espontaneamente até o terceiro ou quarto mês de vida.

Como saber se o bebê está com cólica?
Nem todo choro significa cólica. Bebês também choram quando estão com fome, sono, frio, calor, fralda suja ou simplesmente precisam de colo.
Por isso, observar o comportamento da criança ajuda bastante.
Os sinais mais comuns de cólica incluem:
- choro intenso e difícil de consolar;
- rosto avermelhado durante o choro;
- pernas encolhidas em direção à barriga;
- barriga endurecida ou estufada;
- mãos fechadas;
- arqueamento das costas;
- eliminação de gases.
Outro detalhe importante é o horário.
Muitos bebês apresentam cólicas principalmente no final da tarde e durante a noite.
Esses episódios podem durar alguns minutos ou até algumas horas, variando bastante entre uma criança e outra.
Por que as cólicas acontecem?
Embora a ciência ainda estude todas as causas das cólicas, alguns fatores parecem contribuir para o desconforto.
Sistema digestivo imaturo
Nos primeiros meses de vida, o intestino ainda está amadurecendo.
Isso faz com que o bebê tenha mais dificuldade para eliminar gases e lidar com os movimentos intestinais.
Acúmulo de gases
Durante as mamadas, alguns bebês engolem uma quantidade maior de ar.
Esse ar pode provocar distensão abdominal e aumentar o desconforto.
Por isso, fazer o bebê arrotar após cada mamada é um cuidado importante.
Adaptação ao novo ambiente
Os primeiros meses representam uma enorme mudança para o bebê.
Luzes, sons, temperaturas diferentes e uma rotina completamente nova exigem um grande esforço de adaptação.
Especialistas acreditam que essa sobrecarga de estímulos também possa influenciar os episódios de choro.
Desenvolvimento do sistema nervoso
Assim como acontece nos saltos de desenvolvimento do bebê, o cérebro está amadurecendo rapidamente.
Em alguns momentos, o bebê ainda não consegue regular completamente suas emoções, o que pode aumentar o choro durante situações de desconforto.
Quando as cólicas começam?
Na maioria dos bebês, as cólicas aparecem entre a segunda e a terceira semana de vida.
Os episódios costumam aumentar de intensidade até aproximadamente seis semanas de idade.
Depois desse período, normalmente começam a diminuir gradualmente.
A boa notícia é que, para a maioria das crianças, as cólicas desaparecem por volta do terceiro ou quarto mês de vida.
Em bebês prematuros, esse período pode variar um pouco.
Cada criança possui seu próprio ritmo de desenvolvimento.

Quanto tempo duram as crises de cólica?
Não existe um tempo exato.
Alguns bebês apresentam episódios rápidos, de quinze ou vinte minutos.
Outros podem permanecer irritados durante uma ou duas horas.
Em geral, os episódios são mais frequentes no final da tarde e no início da noite.
Embora isso seja bastante desgastante para os pais, é importante lembrar que essa fase costuma ser temporária.
Conforme o sistema digestivo amadurece, as crises tendem a diminuir naturalmente.
A alimentação da mãe pode causar cólicas?
Essa é uma das dúvidas mais frequentes entre mulheres que amamentam.
Na maioria dos casos, não existe necessidade de retirar alimentos da alimentação da mãe de forma preventiva.
Não há evidências de que alimentos como feijão, brócolis, couve ou repolho provoquem cólicas em todos os bebês.
Entretanto, em situações específicas, alguns lactentes podem apresentar sensibilidade às proteínas do leite de vaca consumidas pela mãe.
Nesses casos, a mudança alimentar deve ser feita apenas com orientação médica ou nutricional.
Eliminar diversos alimentos sem necessidade pode prejudicar a nutrição da mãe e não trazer benefício para o bebê.
O colo também ajuda a aliviar a cólica
Durante uma crise de cólica, muitos pais ficam preocupados em “acostumar mal” o bebê ao pegá-lo no colo.
Na verdade, acontece exatamente o contrário.
O contato físico transmite segurança, regula a temperatura corporal, reduz o estresse e ajuda o bebê a se acalmar.
Seu cheiro, sua voz e os batimentos do seu coração são familiares para ele desde a gestação.
Por isso, muitas vezes, o colo é uma das formas mais eficazes de oferecer conforto.
Lembre-se: oferecer acolhimento nunca é um erro.
Como aliviar cólicas no bebê: métodos seguros e eficazes
Embora seja difícil ver o bebê chorando, existem diversas formas de aliviar o desconforto durante uma crise de cólica. Nem todas funcionam da mesma maneira para todas as crianças, por isso vale a pena experimentar, sempre respeitando o que deixa seu bebê mais confortável.
O mais importante é lembrar que, durante esse momento, além do desconforto físico, o bebê precisa sentir segurança. Seu toque, sua voz e sua presença fazem diferença.
1. Faça uma massagem delicada na barriga
Uma das técnicas mais conhecidas é a massagem abdominal.
Com as mãos aquecidas, faça movimentos suaves e circulares no sentido horário, acompanhando o trajeto natural do intestino.
Essa massagem pode ajudar na eliminação dos gases e relaxar a musculatura abdominal.
Não é necessário fazer força. Movimentos leves costumam ser suficientes.
2. Movimente as perninhas como se estivesse pedalando
Outro exercício simples é flexionar delicadamente as pernas do bebê em direção à barriga e depois esticá-las novamente.
Repita esse movimento lentamente, como se ele estivesse andando de bicicleta.
Esse exercício favorece a eliminação dos gases presos no intestino e costuma proporcionar alívio em poucos minutos.
3. Utilize uma compressa morna
O calor ajuda a relaxar a musculatura abdominal.
Você pode utilizar uma toalha morna ou uma bolsa térmica própria para bebês, sempre envolvida em um tecido fino.
Antes de colocar sobre a barriga do bebê, teste a temperatura na parte interna do seu braço.
Ela deve estar agradável ao toque, nunca quente.
Nunca utilize bolsas com água fervente ou objetos que possam causar queimaduras.
4. Faça o bebê arrotar após cada mamada
Durante a alimentação, é normal que o bebê engula um pouco de ar.
Esse ar pode aumentar o desconforto abdominal.
Por isso, procure fazer pequenas pausas durante a mamada e mantenha o bebê em posição vertical por alguns minutos depois que ele terminar de mamar.
Mesmo quando o arroto demora um pouco para sair, vale a pena esperar com paciência.
5. Ofereça mais colo e contato físico
Em muitos casos, o bebê não precisa apenas eliminar gases.
Ele também precisa se sentir protegido.
Segurar o bebê no colo, caminhar lentamente pela casa ou utilizar um sling ergonômico pode ajudar bastante.
O calor do corpo dos pais e o balanço suave costumam acalmar muitos bebês durante as crises.
6. Reduza os estímulos do ambiente
Luzes fortes, televisão ligada, muitas visitas e excesso de barulho podem deixar alguns bebês ainda mais irritados.
Quando perceber que a cólica começou, experimente levá-lo para um ambiente mais silencioso, com iluminação suave.
Essa redução dos estímulos ajuda muitos bebês a relaxar.
7. Mantenha uma rotina tranquila
Embora recém-nascidos ainda não tenham horários rígidos, criar uma rotina previsível ajuda o bebê a se sentir mais seguro.
Banho, mamada, colo e sono em horários semelhantes podem reduzir o estresse ao longo do dia.

Tabela: métodos para aliviar cólicas no bebê
| Método | Como ajuda | Quando utilizar |
|---|---|---|
| Massagem abdominal | Estimula a eliminação de gases | Durante ou após a crise |
| Movimento de bicicleta | Facilita a saída dos gases | Sempre que houver desconforto |
| Compressa morna | Relaxa a musculatura abdominal | Durante a cólica |
| Fazer arrotar | Reduz o ar ingerido | Após todas as mamadas |
| Colo | Acalma e transmite segurança | Sempre que necessário |
| Ambiente calmo | Diminui estímulos | Principalmente no fim do dia |
| Rotina previsível | Reduz o estresse | Todos os dias |
Nenhuma dessas estratégias elimina completamente as cólicas, mas muitas famílias observam melhora quando utilizam uma combinação delas.
O que dizem as evidências sobre medicamentos?
É comum encontrar medicamentos, chás e produtos vendidos como soluções para cólicas.
Entretanto, nem todos possuem eficácia comprovada.
Antes de oferecer qualquer medicamento, probiótico ou suplemento ao bebê, converse com o pediatra.
Evite também receitas caseiras indicadas por familiares ou encontradas na internet.
O organismo do recém-nascido ainda é muito sensível, e algumas substâncias podem trazer riscos.
Checklist: o que fazer durante uma crise de cólica
Quando perceber que seu bebê está com cólica, siga este passo a passo:
✔ Verifique se ele está alimentado.
✔ Confira se a fralda está limpa.
✔ Faça-o arrotar.
✔ Massageie delicadamente a barriga.
✔ Movimente as perninhas.
✔ Ofereça colo.
✔ Diminua os estímulos do ambiente.
✔ Fale com voz calma.
✔ Tenha paciência: a crise costuma passar.
Às vezes, mesmo fazendo tudo isso, o bebê continuará chorando por algum tempo. Isso não significa que você esteja falhando. Seu carinho e sua presença continuam sendo importantes, mesmo quando o alívio não acontece imediatamente.
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